Proxectos I+D
A condición inespecífica en prácticas interartísticas brasileiras de 1960 até o presente: estudo analítico e posíbel teorización
Este proxecto pretende investigar as marxes do interartístico; isto é, certas prácticas creativas brasileiras emerxentes e inhabituais que, pola súa heterodoxia, se sitúan no espazo fronteirizo entre o literario e o plástico. Trátase de estudar unha realidade que, dada a súa complexidade e proximidade temporal, aínda non está claramente delimitada. Con este obxectivo, establécense uns límites temporais que, incluíndo itinerarios interartísticos brasileiros con diferentes contextos, van de 1960 ao presente, en diversas tendencias do devir histórico-cultural: Construtivismo, Experimentalismo, Art Brut, Informalismo, Contracultura ou a multiplicidade da Posmodernidade e a súa actualización na Hipercontemporaneidade.
Así, as obras e as/os autoras/es do corpus foron seleccionadas/os pola súa representatividade e polas prácticas radicais que cuestionan as hipóteses tradicionais da fusión, xustaposición ou asimilación, para comprender os entrecruzamentos plástico-escriturais radicalmente dialogais:
—«Recordações», «Eu preciso das palavras escrita [sic]» e «O manto da Apresentação» de ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO (1911-1989);
—as ‘palabras bordadas’ (1960) e os ‘obxectos espirituais’ (1965, 1967-1968 e 1973) de MIRA SCHENDEL (1919-1988);
—Poema enterrado (1959-1960) de FERREIRA GULLAR (1930-2016);
—«Carta a Wally» (1974) e Newyorkaises. Conglomerado (1970-1978) de HÉLIO OITICICA (1937-1980);
—as ‘crónicas visualizantes’ (1993-1996), reunidas em Umas (2020), e Relivro (2011) de LEONORA DE BARROS (1953);
—«Desenhos para Nelson» (2004), «Faca só lâmina» e «Diálogo de um cachorro morto» (2008), Ó (2009) e Junco (2011) de NUNO RAMOS (1960);
—Antologia (2006) de ARNALDO ANTUNES (1960);
—Pesquisa escolar (2020-2021) e Cinelândia (2021) de LEILA DANZIGER (1962);
—O funámbulo e o escafandrista (2008) de LAURA ERBER (1979);
—Parque das ruínas (2018) de MARÍLIA GARCIA (1979);
—Sangria (2017) e os ‘experimentos oralizantes e corpóreos’ de LUIZA ROMÃO (1992);
—as propostas derivadas dun pensum baseado nas cosmovisións e modos dos pobos orixinarios de DENILSON BANIWA (1984) e ELLEN LIMA WASSU (1995).
Varios destes creadores cunha traxectoria dilatada foron obxecto de procesos de consagración, estudos e (re)visións críticas de conxunto que serán sólidos alicerces para a investigación. Non obstante, eses estudos dan pouca atención ao exame profundado das prácticas máis híbridas, complicadas e, mesmo, herméticas, en especial, no caso dos autores nacidos a partir de 1979. Ademais, esta fortuna crítica deriva dunha perspectiva máis artística que literaria, ou viceversa. É este baleiro, por tanto, o que proxecto pretende afrontar, ao dar unha atención máis equilibrada ao interartístico en espazos creativos intercalares.
Para comprender esas obras inespecíficas, eses ‘arte-factos’, os principais problemas a tratar no proxecto son os das catro relacións categoriais seguintes: as da performance coas escritas analítica, literaria e programática; as do ‘libro de artista’ coa literatura, fotografía, gravado e vídeo; as do bordado, inscrición, caligrafía e (neo)grafitti coa palabra; e as da instalación e intervencións ambientais e obxectuais co literario.
Debido á natureza cuestionadora e híbrida da investigación, priviléxiase unha metodoloxía interdisciplinaria,
harmonizando conceptos e estratexias provenientes dos estudos culturais, literarios e artísticos. É así que, a partir de estudos de caso e dunha posíbel conceptualización e teorización de conxunto, se procuran posíbeis respostas e ferramentas metodolóxicas ad hoc que tamén poidan ser aplicábeis a prácticas semellantes noutros contextos.
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PORTUGUÊS
O projeto pretende investigar as margens do interartístico; isto é, certas práticas criativas brasileiras emergentes e incomuns que, devido à sua heterodoxia, se situam no espaço fronteiriço entre o literário e o plástico. Trata-se de estudar uma realidade que, dada a sua complexidade e proximidade temporal, ainda não está claramente delimitada. Com esse propósito, estabelecem-se uns limites temporais que incluem itinerários interartísticos brasileiros com diferentes contextos, de 1960 até ao momento presente, filiados a diversas tendências do devir histórico cultural: Constructivismo, Experimentalismo, Art Brut, Informalismo, Contracultura ou a multiplicidade da Posmodernidade e a sua atualização na Hipercontemporaneidade.
Assim, as obras e as/os autoras/es do corpus foram selecionados pela sua representatividade e pelas práticas radicais que questionam as hipóteses tradicionais da fusão, justaposição ou assimilação, para compreender os entrecruzamentos plástico-escriturais radicalmente dialogais:
—«Recordações», «Eu preciso das palavras escrita [sic]» e «O manto da Apresentação», de ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO (1911-1989);
—as ‘palavras bordadas’ (1960) e os ‘objetos espirituais’ (1965, 1967-1968 e 1973), de MIRA SCHENDEL (1919-1988);
—Poema enterrado (1959-1960), de FERREIRA GULLAR (1930-2016);
—«Carta a Wally» (1974) e Newyorkaises. Conglomerado (1970-1978), de HÉLIO OITICICA (1937-1980);
—as ‘crónicas visualizantes’ (1993-1996), reunidas em Umas (2020), e Relivro (2011), de LEONORA DE BARROS (1953);
—«Desenhos para Nelson» (2004), «Faca só lâmina» e «Diálogo de um cachorro morto» (2008), Ó (2009) e Junco (2011), de NUNO RAMOS (1960);
—Antologia (2006), de ARNALDO ANTUNES (1960);
—Pesquisa escolar (2020-2021) e Cinelândia (2021), de LEILA DANZIGER (1962);
—O funámbulo e o escafandrista (2008), de LAURA ERBER (1979);
—Parque das ruínas (2018), de MARÍLIA GARCIA (1979);
—Sangria (2017) e os ‘experimentos oralizantes e corpóreos’ de LUIZA ROMÃO (1992);
—as propostas derivadas de um pensum baseado nas cosmovisões e modos dos povos originários de DENILSON BANIWA (1984) y ELLEN LIMA WASSU (1995).
Vários destes artistas com uma longa trajetória foram objeto de processos de consagração, estudos e (re)visões críticas de conjunto que serão sólidos alicerces para a investigação. No entanto, esses estudos dão pouca atenção ao exame profundo das práticas mais híbridas, complicadas e, mesmo, herméticas, em especial, no caso dos autores nascidos a partir de 1979. Aliás, esta fortuna crítica deriva de uma perspetiva mais artística do que literária ou vice-versa. É esse vazio, portanto, o que o projeto pretende afrontar, ao dar uma atenção mais equilibrada ao interartístico em espaços criativos intercalares.
Para compreender essas obras inespecíficas, esses ‘arte-factos’, os principais problemas a tratar no projeto são os das quatro relações categoriais seguintes: as da performance com as escritas analítica, literária e programática; as do ‘livro de artista’ com a literatura, fotografia, gravado e vídeo; as do bordado, inscrição, caligrafia e (neo)grafitti com a palavra; e as da instalação e as instalações ambientais e objetuais com o literário.
Devido à natureza questionadora e híbrida da investigação, privilegiar-se-á uma metodologia interdisciplinar, harmonizando conceitos e estratégias provenientes dos estudos culturais, literários e artísticos. Assim, a partir de estudos de caso e de uma possível conceitualização e teorização de conjunto, procuram-se possíveis respostas e ferramentas metodológicas ad hoc que também possam ser aplicáveis a práticas semelhantes noutros contextos.

